Vida nova

26 02 2009

Na semana passada, eu estava muito aflito. Estava com uma viagem marcada pro carnaval mas alguma coisa não estava no lugar. Não queria viajar e deixar coisas mal resolvidas por aqui. Orei muito e agradeço porque Deus foi mais uma vez muito bom. Na sexta-feira, Marina, Mauro e eu ficamos praticamente o dia todo correndo atrás de algumas coisas que precisavam ser resolvidas antes de irmos pra praia. Deus sabe o quanto nós queríamos viajar tranquilos e sabendo que o Vô teria finalmente um lugar confortável pra dormir.

Como ele mesmo nos disse muitas vezes, tirá-lo das ruas não vai ser fácil. Faz umas 2 semanas, havíamos encontrado um lugar pra ele, mas aconteceram coisas surreais que fizeram a gente parar um pouco pra pensar com o que estamos lidando. Como ele mesmo nos diz, estamos “saqueando o inferno”, e somente depois que Deus permitiu que certas coisas acontecessem, começamos a entender que estamos lidando com algo muito perigoso. Precisamos das orações de muita gente e nós também precisamos estar constantemente conectados a Deus. Mas finalmente demos o primeiro passo para q o nosso querido Vô consiga voltar a ter uma vida normal. Como deixamos as chaves do quarto dele com ele na sexta e fomos viajar, não sabíamos o que havia acontecido. Eu estava um pouco preocupado que acontecesse alguma coisa como da outra vez. Quando cheguei hoje, fui ver se o achava, mas não o encontrei. Pelo menos conversei com um pessoal da rua e me disseram que ele estava dormindo no quarto e que estava mais bonito e até um pouco mais gordinho.

Agora ele precisa de um emprego, roupas, comida e várias outras coisas para que possa começar sua vida. Qualquer ajuda será muito bem-vinda. Queremos pagar o aluguel dele por 4 meses e arrumar um emprego. Depois é por conta dele, mas até lá, faremos o possível para ajudá-lo a recuperar o que foi perdido nesse tempo em que esteve nas ruas.

E pra começar uma vida nova, nada melhor que deixar pra trás um visual adquirido nas ruas. Quando fomos ao cabeleireiro cortar a barba e o cabelo, fiquei um pouco triste. Gosto muito dele como papai noel da jamaica, mas é preciso dar um tapa no visual pra arrumar um emprego novo. Que Deus continue te abençoando Vô!

Vô





Sempre aprendendo

19 02 2009

Não vou escrever sobre nosso pic nic agora, mas quem foi viu mais um dia de bênçãos. Foi (novamente) maravilhoso.

Estava dando uma olhada nos comentários sobre o que foi escrito sobre o Alexandre e me deparei com um testemunho da Helena Lima. Quando li, fiquei muito, mas muito feliz por poder perceber que Deus realmente não pensa pequeno. Quando um projeto pertence a Ele, a coisa vai que vai. A gente fica nessas de tentar ajudar pessoas menos favorecidas e tal, mas isso acaba atingindo todo mundo de alguma forma. Pedi autorização pra Helena pra colocar o que ela escreveu aqui. Muito obrigado por dividir conosco sua experiência e por nos dar forças pra continuar nessa missão. 

Uma noite o Mário (meu marido) me mostrou o blog de vocês, e logo que vi as fotos, pensei: eu conheço essas pessoas. Mas ao ler as histórias aqui registradas nenhuma tocou tanto meu coração quanto a do Alexandre, não porque a história dele seja diferente das dos outros, mas porque  faço parte de todos aqueles que fecham o vidro na cara dele. Eu me senti muito mal, e quando fui dormir, chorei e pedi perdão a Deus porque me senti uma hipócrita. Eu vivo dizendo às pessoas que nossa religião tem que ser maior que pregação, ela tem que ser prática. No entanto eu me sento no meu carro, me escondo atráz do medo de ser assaltada, e uso isso como desculpa para não sair do meu comodismo. Então, eu que “rica sou e de nada tenho falta”, fecho o vidro do meu carro, ligo o ar condicionado, aumento o som da música sacra que ouço, e finjo não ver o Alexandre tentando me vender uma limpeza no vidro do carro. Então a fim de mudar toda essa situação, no dia seguinte,  fiz uma marmita, orei a Deus para que parasse a chuva, para que assim eu pudesse dar um pouco de comida pra ele. O curioso é que a chuva não parou e eu não encontrei o Alexandre. Então eu pedi a Deus, que não me fizesse voltar com a comida pra casa e que eu pudesse encontrar alguém que precisasse dela, e já bem perto de casa, e bem longe dali, eu encontrei alguém pra entregar a comida. Então eu fiquei me perguntando se tudo o que eu faço na igreja é suficiênte, eu acho que o trabalho de vocês me fez ver que eu estou longe de entender o que é servir ao próximo, mas eu sei que Deus em sua infinita misericórdia e graça já está me ensinando. Que Deus esteja com vocês e os use a cada dia para ajudar mais pessoas. Temos muitas missões a cumprir para Cristo e essa que vocês assumiram são poucos os que querem ter.





PIC NIC 3

18 02 2009

hoje entre 6:30 e 7 horas, vamos nos reunir em frente ao Mc Donalds da espraiada. Quem quiser ir, leve comida para 2 pessoas por favor. se quiser levar suco, copo descartável, tb é recomendável. se não acharem ninguém, liguem pra mim 8566-7364 (nando)





O Dia da Virada

18 02 2009

 

Às 17,30h no Mc Donald´s da Espraiada era o combinado, bem em frente ao farol onde o Alexandre costuma limpar o vidro dos carros com seu rodinho. Chegando lá um pouco atrasados, Marina e eu não vimos o Alexandre e nem o Nando, que havia combinado de nos encontrar ali. Logo a ansiedade começou a se manifestar, e os alertas que nos tinham sido dados de que era comum o dependente sumir no dia de sua internação deixou-nos com uma pulga atrás da orelha, que não duraria muito.

Então ligamos para o Nando, que disse que já estava com o Alexandre, chegando em 10 minutos no Mc. Dito e feito. Em 10 minutos avistamos o Nando e o Alexandre, e este se apresentava com um rosto sereno, confiante, expressando mais ou menos um “obrigado meu Deus, hoje é o dia da virada”. Nos abraçou sorridente, e decidido a dar um firme passo rumo à sua restauração.

Nando tinha um compromisso, então seguimos Alexandre, Marina e eu rumo a Embu-Guaçu, para a clínica New Life. No caminho, Alexandre não parava de repetir que aquilo tudo era um sonho, que Deus estava sendo maravilhoso, que não via a hora de dar seu testemunho após sua recuperação. Contou-nos ainda mais um pouco sobre a dura história de sua vida, e sua intenção de orar por uma reconciliação com sua mãe (até ontem dizia que nunca mais lhe pediria ajuda), que não vê há anos, e parece ser um dos grande motivos de ter ido tão fundo nas drogas.

Quanto mais chegávamos perto, maior parecia ser a felicidade do Alexandre, “Será que poderei tomar um banho de uma hora?”, “Não acredito que hoje dormirei numa cama”, “Poderei cortar minhas unhas?”, eram as indagações daquele homem de 34 anos, que mais parecia uma criança aguardando os presentes no dia do seu aniversário.

Chegando lá, fomos muito bem recebidos pelos funcionários da New Life, e ao entrarmos na clínica, Alexandre pode ver que Deus o estava resgatando em grande estilo. Cena rara para quem mora na Av. Água Espraiada em meio à poluição e aos ruídos ensurdecedores dos carros, Alexandre adentrou na Chácara, silenciosa e calma, debaixo do céu estrelado, avistou a quietude da piscina que mais parecia um espelho, os quartos, o refeitório, e neste momento não pode expressar em palavras o que sentia, mas seu semblante exprimia a mais pura gratidão a Deus.

Logo encontramos com Marcelo, que nos recebeu com um belo abraço, e já encaminhou o Alexandre para fazer uma pequena triagem médica, medindo a pressão, checando a respiração, etc., enquanto Marina e eu acertávamos com Marcelo os últimos detalhes.

Feito isso, reencontramos o Alexandre, que ao tentar nos agradecer, não conseguiu falar, bastante emocionado. Deu-nos um abraço, e disse “Deus os abençoe, eu já vou indo”. E assim perdemos de vista o Alexandre, que adentrava no local onde irá residir pelos próximos meses.

 

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Cumpre-nos agora orar pelo Alexandre e sua recuperação. Que Deus o inunde com seu Santo Espírito lhe dando força para suportar o difícil processo de libertação do vício. Oremos pela clínica New Life, pelo Marcelo, que de maneira tão amável nos abriu as portas para resgatarmos o Alexandre, gratuitamente, e posteriormente, mais pessoas.

 A clínica New Life é um grande campo missionário, ali existem pessoas sedentas e com necessidade de conhecerem um Deus prático, amoroso, que se envolve conosco. Como citei, as portas estão abertas para ali falarmos do amor de Deus, cantarmos e nos relacionarmos com aquelas pessoas. Quem desejar programar visitas à clínica, favor entrar em contato.

Conto com as orações de todos pelo Alexandre, mas não menos, conto com a participação prática de todos quanto sintam vontade de fazer parte dessa obra tão gratificante que Deus está colocando em nossas vidas. A seara é grande, mas são poucos os ceifeiros.

Deus nos abençoe. Um abraço.

 

 

 





Vitória

16 02 2009

Como na maioria de nossos dias desde que entramos nessa missão, nosso final de semana foi repleto de acontecimentos incomuns, como se Deus fizesse questão de demonstrar que está à frente de nós.

Na sexta-feira começamos a procurar algumas clínicas de reabilitação para o Alexandre, pois ele tem tido muita dificuldade para vencer o vício e vem demonstrando grande interesse em uma internação. Liguei para alguns lugares, mas desanimei ao ver que em média uma internação custa R$ 1000,00 por mês. Nunca conseguiríamos esse dinheiro. Resolvemos, de forma despretensiosa, mandar e-mails para algumas clínicas falando sobre o Alexandre e com o link deste site. Oramos sobre isso e estávamos aguardando qualquer resposta.

Deus, dessa vez, agiu bem rápido, pois no sábado à noite recebemos uma resposta por e-mail de um Marcelo, da clínica New Life. Acostumado com pessoas bem intencionadas em ajudar os dependentes químicos, mas irresponsáveis quanto ao acompanhamento no tratamento dos mesmos, Marcelo respondeu o e-mail secamente, estipulando a condição para aceitar o Alexandre em sua clínica, mais ou menos nas seguintes palavras: “Eu aceito o Alexandre, desde que vocês não passem toda a responsabilidade para mim e acompanhem o tratamento. Vocês o abandonando, eu o abandonarei também”. Ao mesmo tempo em que suas palavras nos fizeram sentir o peso da responsabilidade que estávamos assumindo, sentimos uma euforia muito grande e sabíamos que era uma resposta de Deus.

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No entanto, só ao entrarmos no site da clínica pudemos perceber o tamanho da benção. A clínica New Life é destinada a pessoas de classe média alta e o quarto mais barato para a internação custa R$ 1500,00 por mês, chegando alguns até o preço de R$ 4.000,00. Mas Deus arrumou uma vaga para o Alexandre de graça. Amém!

Sem demora, agendamos uma visita para ontem, domingo, e logo cedo partimos, Thais, Marina, Nando e Eu (Mauro), para conhecer o local. Chegando lá, ficamos um pouco assustados com a aparência e o jeito do Marcelo, que mais parecia um dos internos do que o proprietário da clínica. Mas com pouco tempo de conversa, pudemos enxergar que em nossa frente havia um homem de Deus, cheio de amor pelo próximo e disposto a trabalhar para restituir a dignidade de pessoas destruídas pelo vício. Mas Deus nos dá sempre mais do que pedimos, e dessa vez não foi diferente. Pedimos a Ele uma vaga para o Alexandre e, para nossa surpresa, conseguimos uma vaga fixa na clínica do Marcelo, que quer dizer que após a recuperação do Alexandre, poderemos encaminhar outro dependente, e depois outro e outro e assim sucessivamente. Mais uma vez, Amém. Obrigado Marcelo, Deus te abençoe..

A clínica possui piscina, campo de futebol, quadra, salão de jogos, 05 psicólogas, enfermagem 24 horas, psiquiatra, e de quebra, 12 filhotinhos de Pit Bull com pouco mais de 1 mês de vida (seria injusto com a Thais não citá-los rs.). Tivemos ainda a oportunidade de conhecer alguns dos internos, que nos asseguraram ser ali um local ótimo e diferenciado para se recuperar do vício. Alguns haviam passado por diversas internações e outros haviam sido enviados para lá involuntariamente, mas todos eram unânimes em afirmar que estavam se sentindo bem ali, e muito esperançosos quanto a sua recuperação.

Fomos alertados pelos internos que o momento de avisar a pessoa de que ela irá para uma clínica, por mais que seja voluntariamente, é sempre complicado, pois o vício nessa hora grita alto, fazendo muitas vezes com que a pessoa suma, com medo de não agüentar ficar sem a droga.

Hoje encontrei o Alexandre e fomos tomar uma Coca-cola. Ele me afirmou que assim que conseguíssemos uma clínica, ele iria conosco, pois crê que Deus tem um plano para sua vida e que ainda será um instrumento nas mãos Dele (mal sabe que já o é). Não o avisei que já conseguimos a clínica para não corrermos o risco de ele ficar com medo e sumir, mas disse que iríamos atrás de uma essa semana. Pretendemos levá-lo para lá amanhã, terça-feira (17/02), no final de tarde, já liguei para a clínica e agendei. Conto com as orações de vocês para que tudo ocorra da melhor forma possível.

Nosso único custo nisso tudo será o pagamento de uns exames médicos, que custarão R$ 180,00, e ainda R$ 60,00 a cada bimestre para pagamento dos materiais necessários para a terapia. No entanto, teremos que conseguir algumas roupas, e todos os utensílios de higiene pessoal.

Sendo assim, caso alguém deseje colaborar com essas despesas que termos, seja com o pagamento do exame médico, ou com doações de roupas (bermudas, calças, cobertor, lençol, toalha, pasta de dente, shampoo, etc.) favor comunicar-nos, urgentemente, pelo e-mail do site. Contamos também com as orações de todos, para que o tratamento do Alexandre, uma pessoa tão especial, seja efetivo, e que ele se torne, como é a sua vontade, um instrumento de Deus depois que se recuperar.

Como vocês viram, todos nós envolvidos nesse “projeto” estamos experimentando a incrível sensação de estarmos sendo utilizados como instrumento de Deus para benefício de alguém. Ao mesmo tempo, nunca nos sentimos tão indignos de servirmos como tais instrumentos, e é nesse momento de nossas vidas que a GRAÇA de Deus passa ganhar um novo e mais profundo significado e a vontade de estar totalmente sob sua direção surge como algo natural, uma resposta a tanto amor. Se envolva de alguma forma, ajude, e se coloque nas mãos de Deus para ser usado em Sua obra nesse tempo tão peculiar que vivemos.

Um grande abraço a todos.

Mauro





Tu

15 02 2009

Ontem foi um dia maravilhoso. Tenho certeza de que todas as pessoas que participaram daquele almoço, guardarão esse dia na memória pro resto de suas vidas. Como Deus é bom e poderoso. Agradecemos especialmente à família Monteiro de Castro pelo patrocínio. Pedrinho, Hebe e Bolão, nós amamos vocês!

Durante a semana passada, um garoto de 17 anos conhecido como Tu, veio falar comigo umas 3 ou 4 vezes na rua. Toda vez que me encontrava dizia “eu quero ir pra igreja com vocês” e “tem como me arrumar uma bíblia?”. Existem pessoas nas ruas que, não importa que tipo de coisa errada estejam fazendo, você só precisa olhar nos olhos dela pra saber que essa pessoa não pertence àquele lugar. o Tu é uma delas. Sabe aquele menino que tem um coração puro mas que nunca, NUNCA teve uma oportunidade na vida? é ele.

Ontem quando nos sentamos em 16 pessoas para almoçar depois da igreja, sentei na frente dele. Dava pra perceber que ele estava um pouco perdido. Nitidamente, aquele era o tipo de coisa que talvez nunca tivesse acontecido com ele. Eu sabia que ele estava morrendo de fome porque quando o acordei pra ir pra igreja, ele me pediu alguma coisa pra comer, mas como não tinha nada no carro e estávamos mais que atrasados para a igreja e almoçaríamos em pouco mais de 1 hora, pedia para que ele esperasse. Quando seu prato chegou, ele não sabia muito bem o que fazer. Providencialmente, quem sentou ao seu lado foi o Carlos Roberto, que apesar de morar nas ruas, teve uma educação muito boa e percebendo as dificuldades do Tu, conversava baixinho com ele explicando coisas simples mas que ele nem sabia que existiam. A realidade daquele garoto era simplesmente outra. Ele não conseguia cortar o bife. Talvez nunca tivesse usado uma faca. Aquilo cortou meu coração. Já não bastando isso, uma amiga sua das ruas perguntou em tom de brincadeira “você não teve mãe não?” e ele baixou a cabeça e a balançou dizendo que não. A menina insistiu “não teve pai não?” e ele novamente fez o mesmo movimento.

Como nós devemos agradecer a Deus pelas oportunidades que temos em nossas vidas. Mesmo assim, muitas vezes reclamamos de coisas muito pequenas e insignificantes. Esquecemos de olhar que existem pessoas que não tiveram uma oportunidade na vida e mesmo assim podem nos ensinar muito mais que um professor com PhD. Quando estava com o Tu ontem no carro, contei a ele que o Carlos Roberto a.k.a Nego Drama já foi padeiro e confeiteiro. Perguntei a ele se tinha vontade der trabalhar com isso também e ele disse que sim. Quem sabe um dia tenhamos condições de ter um lugar em que possamos colocar o Nego Drama ensinando pessoas como o Tu uma profissão.

Vou ficar devendo a foto dele. Mas pode ter certeza que quando colocá-la aqui, você saberá na hora que é ele. É o que tem o maior sorriso.





Marcos Saulo (by Ju)

13 02 2009




Patrícia

13 02 2009

Patricia

Não parece, mas Patrícia tem 28 anos. Seu rosto apresenta expressões delicadas, mas esconde uma vida bastante dura e um passado que ela gostaria de esquecer. A primeira vez que a vi foi no primeiro piquenique com os moradores de rua da Av. Espraiada. Grávida de 7 meses, ela chegou tímida para pegar um lanche, agradeceu e saiu sem falar muito. Foi na outra semana que tive o privilégio de conhecê-la melhor. Ela ainda me parecia um pouco tímida, mas logo começou a rir, cantar hinos, conversar e pude conhecer melhor sua história.

 

Na rua há mais de 10 anos, Patrícia tem 15 irmãos e decidiu sair de casa por não conseguir se relacionar bem com um deles. Aos 23, engravidou de seu primeiro filho, o que a levou a entrar em desespero, pois não tinha como sustentar nem mesmo a si, quanto mais uma criança. Sem refletir e sob efeito do crack, decidiu assaltar uma Casa Lotérica com mais 2 colegas. Quando a polícia chegou, ela tentou fugir e levou 8 tiros nas costas. Enquanto me contava esta história, Patrícia levantava a blusa e mostrava as marcas das balas. “Essa entrou aqui e saiu por aqui, essa atravessou a garganta, e tem uma ainda nas minhas costas que os médicos não tiraram”, disse. Quando ela virou, pude ver claramente a bala alojada sob sua pele. Nesse episódio, que por um milagre não tirou sua vida, ela perdeu o pulmão esquerdo e quando se recuperou foi condenada a 4 anos de prisão.

 

E foi na penitenciária feminina que Patrícia conheceu os hinos tão lindos que cantou durante o piquenique. Quando começou o louvor, sua voz rouca foi abafada pelo barulho dos carros que passavam embaixo da ponte, mas aos poucos a melodia contagiou o ambiente e todos cantaram junto.

 

Naquele dia, conversamos e cantamos por quase 1 hora e posso afirmar que a situação desta jovem tão querida não é nada fácil. Apesar de grávida, Patrícia ainda é viciada em crack. Seu namorado está na cadeia e ela não tem lugar para morar, tampouco como se sustentar. Hoje, enquanto escrevia este texto, me peguei pensando que a solução para o caso dela é quase impossível, mas durante o momento em que me contava estas histórias trágicas no domingo, Patrícia cantou um hino muito lindo que dizia: “Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra a minha vida e faze-a de novo. Eu quero ser um vaso novo”. Então lembrei que para Deus nada é impossível e que ele pode fazer a Patrícia nascer novamente e ter a vida transformada.

Gostaria de pedir para que vocês orassem especialmente por esta mulher tão linda para que ela consiga vencer o crack e que em breve ela possa louvar, não somente com sua voz rouca, mas com o testemunho de sua vida!

 





Saindo da zona de conforto

11 02 2009

Ontem acordei cedo (pelo menos para meus padrões) e fui procurar meu amigo Marcos Saulo, mais conhecido como Vô. Tinha prometido a ele que essa semana correriamos atrás da documentação que ele precisa, CPF, titulo de eleitor, reservista, etc… Fui até o Mc Donalds da avenida águas espraiadas (ele costuma estar nessa região) mas não o encontrei. Saí pra dar uma procurada por alguns pontos que sei que ele costuma ir mas sem sucesso, retornei ao Mc Donalds e fiquei sentado em uma mesa do lado de fora.

Quando olhei pro outro lado da rua, vi o Alexandre (ver post abaixo) mas não estava com vontade de ir até lá. Estava pensando comigo mesmo, “vim até aqui pra procurar o Vô mas não achei, vou pra casa então”. Minha vontade de voltar pra casa era grande. Me lembro até que estava torcendo pro Alexandre não me ver pra eu não ter que ir lá. Não entendam errado, eu simplesmente adoro essa figura, mas não estava com vontade de ficar ali, mas por alguma razão, resolvi atravessar a rua e dar um oi.

Toda minha preguiça e vontade de ir embora dali simplesmente evaporaram quando ele me viu, levantou os braços, abriu um sorriso e disse “já ganhei meu dia!”. Mal sabia ele que eu que tinha ganhado meu dia.

Foi a primeira vez que o vi de perto na luta por alguns trocados com seu rodinho. Pude ver de perto como as pessoas o tratam. Tem gente que fecha os vidros, gente que fica brava (isso que ele nunca joga água sem a permissão do motorista) e pouquíssimas pessoas deixam que ele limpe o parabrisa. Não que eu ache que as pessoas deveriam agir de forma diferente, mas como eu conheço o Alexandre, ficava com vontade de bater em algumas pessoas. Pra falar bem a verdade, fiquei muito feliz que ele me disse que nesses últimos dias estava conseguindo somente o suficiente para suas refeições. No dia que o conhecemos, ele nos contou que conseguia 100 reais por dia e gastava tudo em drogas. Agora que ele está tentando parar, ninguém tá dando dinheiro pra ele (viva!).

Alexandre

Ficamos ali por mais de 1 hora, depois fomos almoçar, tomamos 4 tubaínas (ele curte uma tubaína hein), filmamos um pouco do dia dele e voltei pra casa umas 4 horas depois revigorado (e triste também por ter que deixá-lo).

Vou tentar montar um video pra colocar aqui sobre ele, e quem quiser conhecê-lo, entre em contato conosco.





Alexandre

11 02 2009

Alexandre é uma daquelas raras pessoas que aparecem em nossas vidas, e que com apenas dois ou três dias de convivência faz com que você se sinta tão à vontade que parece ser um amigo de muitos anos.

Assim como a grande maioria dos moradores de rua, Alexandre possui uma história marcada por frustrações em vários aspectos de sua vida, principalmente no relacionamento com seus familiares. Um dia Alexandre já trabalhou, possuía uma família, um carro e uma casa, mas hoje, aos 34 anos, possui apenas a roupa do corpo e um rodinho para limpar o vidro dos carros no farol, sua única fonte de renda, renda esta, usada quase em sua totalidade para sustento de seu vício, seu pior inimigo.

Alexandre e Mauro

A realidade que lhe prende parece não oferecer uma escapatória, no entanto, Alexandre, de modo miraculoso, mantém um bom-humor inabalável, um modo manso e educado de se comunicar, e é muito sincero ao olhar nos seus olhos e de modo comovente dizer “eu já gosto muito de você, posso lhe dar um abraço?”. O mais triste de passar o dia com ele, é a hora de ir embora. Perceber que você estará deixando uma pessoa que faz tanta questão de fazer você se sentir bem, ao relento, enche o peito de tristeza.

Durante um dia inteiro de convívio, em meio à leitura da Bíblia, dos louvores e das conversas informais, Alexandre nem se lembrou de seu vício, mas é difícil dizer que após a nossa partida, quando a noite e a solidão caem sobre ele, a dependência química não fez o terrível favor de obrigá-lo a se lembrar de sua necessidade. No entanto, desde que o encontramos há uma semana, sua vida parece estar se modificando pelo amor de Deus rapidamente. Sábado de manhã fez questão de ir à igreja, onde foi muito bem recebido pelos irmãos, e onde se emocionou bastante com a mensagem e o amor demonstrado pelas pessoas. Detentor de um raro dom de gravar em sua mente inúmeras passagens bíblicas e louvores que nem ele mesmo sabe dizer onde aprendeu, Alexandre necessita muito de ajuda. Precisa ir para uma clínica de recuperação, e deseja muito ir, mas acima de tudo, precisa de um local para morar, pois saindo da clínica, a volta para as ruas é a certeza da volta para o vício. Se alguém quiser ajudá-lo de alguma forma, doações de roupas (não muitas, pois ele não tem onde guardá-las), ou algum quartinho em alguma pensão, ou ainda, alguma vaga em uma clínica de recuperação de dependentes químicos gratuita ou com um valor que possamos arcar com a união de nossos esforços, favor entrar em contato através do e-mail do blog. Alexandre, sem qualquer supervalorização, é uma pessoa bastante especial. Deus nos abençoe a todos.

Um grande abraço.








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