17 03 2009

às vezes me falta fé. muitas vezes. eu oro e peço a Deus que me dê mais fé porque sem ela as coisas não fazem sentido. cada pessoa que nós (o grupo da or) conhecemos nos ensina alguma coisa valiosa, e nos envolvemos até o limite pra conseguir mudar a vida desta pessoa de alguma forma. mas quando o retorno não vem, ou vem aos pedaços, ou vem diferente do que imaginamos.. aiai! quebra as pernas, dá um desânimo natural. é aí que entra a fé. porque sem ela eu desisto. e com ela eu acredito. domingo fomos na clínica new life e tivemos um dia especial. falo por mim, cheguei lá com a cabeça em outro plano, pensando em qualquer coisa, sem foco nenhum. e no decorrer do programa LINDO que nosso amigos fizeram – pedro, joyce, edu, estevão, paulinha e os outros cantores fofos que não me lembro dos nomes – senti a transformação do espírito de Deus em mim. os hóspedes da clínica estavam envolvidos, cantando músicas que nunca tinham ouvido, se esforçando pra acompanhar, e cantando alto! o alexandre até fez um duelo com o estevão no “Deus do impossível”! foi ótimo, e sei que foi ótimo pra todos (ou quase todos) os presentes. GLÓRIA!!! Deus se manifestou através de nós para chegar no coração de pessoas que pensam o dia todo em coisas como ficar bem louco, fugir da clínica, convencer alguém a levar embora da clínica, etc. e o mesmo Deus maravilhoso e misericordioso se manifestou através de pessoas carentes de amor e de Deus, enfiadas num lugar pra tirarem o veneno do corpo, e fez com que eles tocassem nos corações de jovens crentes e também carentes de amor e de Deus. que troca linda!!! sim, falo por mim, mas talvez também esteja falando por você. e você só vai saber se vier participar com a gente. pode ser? domingo voltaremos lá, terá futebol e churrasco. e principalmente, louvaremos a Deus!

ju





E após a tempestade….

9 03 2009

Quem tem acompanhado o nosso trabalho, pôde ver no último post sobre o Alexandre, que a situação estava bastante complicada, e que nossa última visita à clínica havia sido um pouco frustrante, já que vimos o nosso primeiro “resgatado”, em uma crise de abstinência, literalmente implorando para voltar para as ruas.

Aquilo mexeu bastante com as pessoas do grupo, que pensavam que a recuperação seria um pouco mais tranqüila. Por isso, oramos, e pedimos oração aqui no blog. E mais uma vez, Deus nos atendeu.

Domingo pela manhã, em um grupo de umas 20 pessoas, fomos novamente até a clínica visitar o Alexandre e fazer uma pequena programação com os demais internos. Para nossa alegria, pudemos encontrar um Alexandre bem mais tranqüilo, alegre, consciente de que o episódio da semana passada tratava-se de uma crise de abstinência. Nos pediu desculpas (desnecessárias), e pudemos conversar de uma forma bem mais tranqüila com ele, que demonstrou estar bem disposto a seguir com o tratamento.

É ainda um pouco triste ver a sua inquietação pela falta da droga. Seus pés não param de balançar, ele dificilmente consegue ficar parado, justamente porque o corpo está pedindo algo de que necessita, o crack. Mas pude reparar algo bastante interessante. No momento em que começamos o culto, onde cantamos algumas músicas em louvor a Deus, o Alexandre sentou-se na cadeira, e todas as suas inquietações, a perna que balançava sem parara até então, se acalmaram, e ele ficou sentado serenamente na cadeira, ouvindo e cantando as músicas, ouvindo a linda mensagem de restauração levada pelo Carioca, e parecia ter sido invadido pela paz de Deus, sem qualquer demonstração, durante todo o culto, de seu corpo estar necessitando da droga. Um momento muito bonito, graças à paz de Deus. Acabando o culto, a tremedeira novamente começou.  ale ale1O resto da programação foi muito abençoada, todos prestaram bastante atenção na forte mensagem trazida pelo Carioca, a qual apontou para Deus como o único meio de se alcançar a restauração e o perdão. Conversamos bastante, e conhecemos um pouco mais os internos da clínica New Life, os quais fizeram questão de demonstrar o quanto apreciam as nossas visitas e o quanto precisarão de nós para se manterem firmes após o término do tratamento.

Saímos de lá, novamente, com a maravilhosa sensação de termos sido usados por Deus, e de termos visto como Deus atende as nossas orações, trazendo a paz e a calma ao coração do Alexandre. E gostaríamos muito que todos vocês que nos lêem pudessem sentir e viver essa maravilhosa experiência que temos tido a cada final de semana. Junte-se a nós.

O Alexandre tem estudado a Bíblia todos os dias, e tem pregado sobre o amor de Deus a muitos naquele local. Todos comentam sobre sua consagração. Amém!

Temos ainda o imenso desafio de, após o fim de seu tratamento (no mínimo 4 meses), não deixarmos ele voltar para as ruas. Precisamos que ele arrume um emprego, uma casa para morar. Como faremos? Com a benção de Deus através da sua ajuda. Favor entrar em contato. Precisamos de você.

Deus nos abençoe.





Quer Ajudar?

5 03 2009

Nessa semana as coisas estão ficando mais claras pra gente. Estamos um pouco desorganizados por falta de um plano de ação, mas com o tempo as coisas vão se encaixando. Muitas pessoas querem ajudar, se envolver, mas não sabem como. A gente também não sabia, mas agora sabe. Quem quiser saber como participar desse projeto, estaremos explicando na igreja adventista de moema neste sábado (o7/03) de tarde durante o JA (17:30). Fiquei com vontade de terminar esse convite com uma frase do tipo “junte-se a nós” mas ia ficar muito brega.

aquele abraço





As PEDRAS no caminho

5 03 2009

Último sábado, fomos até a clínica New Life para visitar o Alexandre e realizar uma programação com os demais internos. Chegando lá, em mais ou menos umas 15 pessoas, conseguimos reunir um número grande de internos para darmos início à nossa programação, uma grande vitória, já que normalmente, pelo que vimos e soubemos a maioria não freqüenta as atividades religiosas que ali acontecem. Mas antes do programa começar, avistei o Alexandre, que rapidamente ergueu os braços, demonstrando alegria, e veio me dar um abraço, dizendo que estava com vontade até de chorar. Percebi que estava mais gordinho, com cabelo cortado, barba feita, uma ótima aparência, e fiquei muito feliz.

Mas, como diria o jargão, “nem tudo são flores“. Logo após nos cumprimentarmos, com a programação prestes a começar, Alexandre me chamou para uma conversa particular. Visivelmente alterado, pediu-me para levá-lo embora da clínica comigo naquele dia. “Não agüento mais essa prisão, você tem que me tirar daqui, hoje”. Aquelas palavras tiraram meu chão, nunca tendo passado por situação semelhante, não sabia como agir. Fiquei de conversar com ele depois, visto que a programação já se iniciava.

Durante a atividade, que foi muito abençoada (contarei sobre ela daqui a pouco), cada um de nós pegou dois internos para conversar um pouco e fazer uma oração. Chamei o Alexandre e mais um. “Mauro, por favor, me tira daqui, eu prefiro a rua, se você me deixar aqui, não precisa mais olhar na minha cara, não faça isso comigo”, eram as palavras que eu ouvia. O outro interno que nos acompanhava na atividade pedia para o Alexandre manter a calma, pois era normal sentir aquela compulsão no começo, que ele havia passado por isso. A situação ficava cada vez mais difícil para mim, e nesse momento o Alexandre abordava a cada um de nós, implorando para levarmos ele novamente par as ruas. Chegou a ajoelhar aos pés do Nando.

Pasmo, fui conversar com outros internos, que me informaram que haviam passado pela mesma compulsão e abstinência que o Alexandre estava passando, mas que tínhamos que ser firmes. Marcelo, o dono da clínica, me orientou no mesmo sentido, e com claras palavras disse ao Alexandre que não liberaria sua saída naquele dia, informando-o ainda que ele havia sido interditado judicialmente pela clínica.

O que nos restava naquele momento? Não sou nem familiar do Alexandre, o conheço há pouco mais de um mês. Quem sou eu para restringir a liberdade de uma pessoa, mesmo sendo claro o desejo dessa pessoa se matar? Vários questionamentos me assaltavam a mente, então comecei a orar, olhei para a Thais ela já estava orando, e acho que cada um ali deve ter feito sua oração silenciosa “Senhor, nos guie, e se for da Sua vontade, acalme o Alexandre”. A oração foi atendida, e aos poucos a compulsão do Alexandre foi baixando, e ele pareceu controlar de novo sua abstinência, mas aí, já era hora de ir embora.

Pedindo incessantes desculpas, o Alexandre disse que agüentaria ficar ali por dois ou três meses. Até lá verificaremos qual a situação dele.

Esperando encontrar um Alexandre manso, sempre bem-humorado como era quando morava na rua, viciado em crack, fomos surpreendidos por um Alexandre angustiado, sentindo por seus órgãos a necessidade da droga, que a essa altura, já está ausente de seu organismo por 03 semanas. Chantagens emocionais, lágrimas, discursos inflamados marcaram a nossa primeira visita àquele que consideramos nosso primeiro resgatado.

Um detalhe que esqueci de mencionar, no entanto, é que antes de eu encontrar o Alexandre, encontrei um de seus colegas de quarto, com quem já havia me encontrado da primeira vez que visitei a clínica. E ao me encontrar, me abraçou e disse “Estou no quarto com o Alexandre, e ele é um verdadeiro missionário,” ergueu o braço todo arrepiado para mim e complementou “me arrepia até de lembrar as coisas que ele me fala sobre a Bíblia”.

Todos os outros internos nos asseguraram que o Alexandre até ali tinha sido uma pessoa super descontraída, alegre, amigo de todos, e assíduo leitor da Bíblia. Foi nossa presença que despertou nele a esperança de poder suprir a necessidade química de que seu corpo depende, e a crise de abstinência explodiu, tirando-lhe a razão.

Por incrível que pareça, tudo isso aconteceu sem que a beleza da programação com os demais internos fosse afetada. Ninguém parecia perceber o que acontecia há poucos metros, e a mensagem de Deus foi pregada através do testemunho do Vanildo, ex viciado em crack, que freqüenta a igreja do Morumbi. Os momentos de conversa com os internos foram muito abençoados, e pudemos ouvir um pouco sobre a história de cada um, e apresentar o amor de Deus como a única solução para os problemas que às vezes excedem às forças humanas.

Coroada por um lindo hino de louvor cantado pela Ju, a programação foi lindamente encerrada.

Oração, único meio de se lutar contra as forças de Satanás. É disso que o Alexandre precisa. Necessita experimentar a “paz que excede todo o entendimento”, precisa de um milagre para controlar a abstinência. O problema dele é o problema de quase todos os ali internos. Por favor, orem pelo Alexandre o por todos que ali estão. A luta é mais difícil do que eu imaginava, e é preciso um milagre.

Deus abençoe a todos nós.

Um abraço.

Mauro





Ivan “Quebrada”

2 03 2009

Mais uma vez vou ficar devendo uma foto do personagem da vez. E a foto do Tu continuo devendo… Praticamente uma vergonha mas um dia coloco aqui as fotos. 

Conheci o quebrada no dia do nosso primeiro picnic. Foi no mesmo dia que conhecemos o Alexandre. As atenções foram todas voltadas ao Alexandre porque ele é todo extrovertido, engraçado e grudou na gente. O Ivan é o oposto. Se falar que ele é de poucas palavras vou estar mentindo. Até comentamos outro dia que precisávamos arrancar alguma coisa dele porque ele tá sempre junto mas sempre observando e raramente fala alguma coisa. Nunca pediu nada pra ninguém. Eu particularmente estava com muita vontade de conversar com ele, mas tava difícil. Mas os observadores são normalmente os mais espertos.

Esse fim de semana foi com certeza o mais intenso desde que esse projeto começou. Parece até que Deus nos deu de presente nossa viagem de carnaval, longe de são paulo e todos esses problemas que atingem a gente. Eu achava que conversaríamos só sobre os moradores de rua durante nosso acampamento, mas foram poucas as vezes que o assunto veio. Foram 4 dias de muito descanso para nos preparar para o que estava por vir. Não vou entrar em detalhes das coisas que aconteceram. Senti como nunca que estão tentando acabar com o que a gente está fazendo. Desculpe usar esse espaço como um desabafo, mas pela primeira vez senti medo, me senti completamente desprotegido e usado. Eu tenho um problema de confiar demais nas pessoas e Deus talvez esteja se aproveitando pra me ensinar algumas coisas. Mas isso já passou e o foco agora é falar sobre o Quebrada.

O motivo de eu estar escrevendo sobre ele, é que depois de tudo que aconteceu, Deus resolveu nos dar uma injeção de ânimo como se estivesse dizendo pra continuarmos. Acabei de me encontrar com o Vô e com o Quebrada. O Vô tava muito preocupado com as coisas que estavam acontecendo e a gente conversou, demos força uns pros outros e o Vô disse que se é pra continuar nessa missão, temos que ir pra guerra, e se formos pra guerra, temos que estar com a cabeça no lugar. Nisso, o Quebrada decidiu que a partir daquele momento ele não vai mais usar crack e em breve quer ser batizado. Quero pedir que orem muito por ele e também por nós. Precisamos de um lugar pra nos reunirmos com essas pessoas. A polícia já disse que a gente não pode mais fazer o que estamos fazendo nas ruas, mas Deus vai dar um jeito nisso, temos certeza.

Só quero deixar registrado um diálogo do Vô com o Quebrada

-Quebrada, quanto tá valendo a grama do ouro?

-70 reais. E não é A grama, é O grama

boa semana








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