No final de 2008 conhecemos a Alessandra. A situação dela era bastante crítica. Grávida (acreditava que era uma gestação de gêmeos), usuária de crack e moradora de rua. Ali estava um desafio a ser enfrentado.
O carinho que tínhamos pela Ale foi aumentando com o passar do tempo e a vontade de vê-la vencer também. Pedimos muitas orações e acreditamos que Deus ouviu cada uma das que fizemos.
Há mais ou menos um mês e meio, ela foi fazer sua primeira ultrassonografia no Hospital Campo Limpo e neste dia descobrimos que ela estava grávida de uma menininha e que em quatro semanas iria dar a luz a uma pequena Marina. Fomos conversar com a assistente social para sabermos qual era a possibilidade da Alessandra fazer uma laqueadura. Fomos muito bem atendidas pela Leda, que sempre muito prestativa se disponibilizou a esclarecer todas as nossas dúvidas e ajudar no que fosse possível. Saímos felizes , sabendo que em breve a pequena iria nascer.
A preocupação surgiu depois quando nos questionamos com quem iria ficar a guarda da Marininha, pois para a Alessandra ficar com ela precisaria sair da rua, encontrar um lugar para morar e acima de tudo precisava modificar seu modo de viver.
Em meio aos preparativos e a busca de um lar, de surpresa, a Alessandra entrou em trabalho de parto. A bolsa estourou na noite do dia 23 de março. Os pais da Marininha ligaram para a Marina gente grande assim que a Marina gente pequeniníssima resolveu dar graça a esse mundo.
Foi no Hospital Campo Limpo e na madrugada do dia 24, que a Marina pequena-pequena nasceu, linda e super saudável. Não tínhamos preparado nada, fomos pegos de surpresa, mas tínhamos certeza que Deus estava no comando.
Após o nascimento, começou o drama, Alê iria ou não ficar com a filha? No hospital todos estavam comovidos e preocupados. Tivemos a ligação da assistente social dizendo que a Alessandra não estava cuidando da menina direito. Marininha foi para o berçário enquanto as pessoas maiores tentavam resolver o problema de onde e com quem a pequena iria ficar.
No hospital Alessandra ganhou várias roupinhas, cobertores, fraldas e até uma banheirinha. Ela estava extremamete feliz com o nascimento de sua filha. Sendo bem tratada e acarinhada por todos, uma nova Alessandra começou a surgir. Uma mulher bonita, feliz e com vontade de mudar de vida para poder criar sua bebê.
Oramos muito para que Deus fizesse a sua vontade. Todos que conheceram a Alessandra e que de uma certa forma fazem parte da vida dela estavam temerosos e a única coisa que sabiam que podiam fazer era orar.
A guarda da pequena Marina ficou com a avó, Dona Maria. Na quinta-feira passada, com a firme esperança de um recomeço, o pai de Marina e companheiro da Alê, Edinho, decidiu fazer das cinzas o seu ponto de partida. Queimando a antiga casinha em que viviam, Edinho prometia a si mesmo que nunca mais voltariam para debaixo da ponte.
E assim se deu o início de uma vida tão forte e tão bonita que fez renascer a força e a coragem dos responsáveis pela sua vinda ao mundo. Marina não nasceu sozinha, trouxe consigo uma nova Alessandra e um novo Edinho que juntos buscarão por uma vida nova e repleta de vitórias. A nós resta o aconchego de louvarmos ao nosso Deus e agradecer pelo tanto que já fez por essa família nova e cheia de força de vida. Continuemos orando pela Alessandra e por essas novas vidas que se iniciam, pois o progresso nunca vem fácil.
ps – em breve fotos da pequena Marininha (que ainda pode ser que mude de nome)
Beijos. Fabi.
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