Últimos acontecimentos….

6 04 2009

Gostaria de me desculpar pela falta de atualização de nosso blog nas últimas semanas. O projeto está passando por uma fase de reformulação para que nossa ajuda possa ser cada vez mais efetiva, então nosso tempo tem sido gasto, quando não com o contato com os moradores de rua, com reuniões, busca de ajuda para o projeto etc., o que nos tem impedido de atualizar com tanta freqüência nosso blog. Perdão.

Nessas últimas semanas muita coisa aconteceu, mas vou destacar o que considero a experiência mais difícil que tivemos desde o início de nosso trabalho. Como muitos já sabem o Alexandre havia sido internado em uma clínica de reabilitação. Inclusive quando postei esse acontecimento chamei o post de “O dia da Virada..”  pois imaginava ser aquele o empurrão que faltava para se reerguer.

Mas na semana passada ao visitarmos o Alexandre na clínica verificamos a grande dificuldade que é resgatar alguém das ruas e das drogas. Em resumo, ao chegarmos na clínica nos deparamos novamente com um Alexandre muito ansioso, pedindo quase que desesperadamente para sair da clínica. O Marcelo, dono da clínica, entendeu que não haveria como segurar mais o Alexandre lá, vez que sua internação era voluntária e teríamos que respeitar seu livre arbítrio. Tentei convencer o Alexandre a ficar mais um pouco, mas sua compulsão pela droga, os “5 minutos” como ele mesmo chama, falou mais alto. Não havendo lugar nos carros para ele voltar conosco, sem nem mesmo se despedir, saiu a pé pelas portas da clínica. Segundo seu discurso, iria para a casa de sua mãe, que por sua boa aparência atual, o aceitaria de volta.

Fiquei bastante abalado com tudo aquilo, pois todos víamos nitidamente o motivo pelo qual ele queria sair tão desesperadamente de lá, o crack.

Logo na segunda-feira o encontramos na Av. Água Espraiada. Em nosso encontro, lamentou muito o ocorrido, e fez a triste declaração de que nesses “5 minutos” de compulsão, perdeu tudo em sua vida, e gostaria que Deus o curasse desses 05 minutos em que ele perde totalmente o controle sobre ele. Conversamos bastante, e tentamos o animar a não desistir dele mesmo, mostrar que existe uma solução para a vida dele. Ele pareceu se animar, e combinamos um encontro na igreja de Moema na quarta-feira à noite. Ele apareceu no encontro marcado, conversamos ainda mais, oramos, ouvimos o sermão. Na sexta sugerimos que ele saísse da Espraiada e fosse dormir em um albergue, ele relutou bastante, mas resolveu vencer suas vontades viciadas, jogou fora a droga que estava com ele, e foi conosco para o albergue. No sábado foi para a igreja Nova Semente com o Leo e o Samuel, onde também apareceu o Ivan (Quebrada) outro morador de rua. Os dois se animaram, passaram o dia em um parque com o Samuel e o Roger e à noite se dirigiram novamente para o Albergue (espero).

 Difícil saber como ajudaremos o Alexandre daqui pra frente, mas seguiremos animando-o a lutar por sua vida. Deus não desiste de nós, e a exemplo Dele, não desistiremos do Alexandre, já que desejamos ser instrumentos de Deus.

Essa semana tentaremos promover um reencontro do Alexandre com sua família, que não vê há anos. Ele demonstrou esse desejo, e pensamos que isso irá fortalecê-lo a vencer o vício. Precisamos mais que nunca das orações de vocês sobre esse assunto. Se encontrarem o Alexandre por aí, animem-no.

Grande abraço.





E após a tempestade….

9 03 2009

Quem tem acompanhado o nosso trabalho, pôde ver no último post sobre o Alexandre, que a situação estava bastante complicada, e que nossa última visita à clínica havia sido um pouco frustrante, já que vimos o nosso primeiro “resgatado”, em uma crise de abstinência, literalmente implorando para voltar para as ruas.

Aquilo mexeu bastante com as pessoas do grupo, que pensavam que a recuperação seria um pouco mais tranqüila. Por isso, oramos, e pedimos oração aqui no blog. E mais uma vez, Deus nos atendeu.

Domingo pela manhã, em um grupo de umas 20 pessoas, fomos novamente até a clínica visitar o Alexandre e fazer uma pequena programação com os demais internos. Para nossa alegria, pudemos encontrar um Alexandre bem mais tranqüilo, alegre, consciente de que o episódio da semana passada tratava-se de uma crise de abstinência. Nos pediu desculpas (desnecessárias), e pudemos conversar de uma forma bem mais tranqüila com ele, que demonstrou estar bem disposto a seguir com o tratamento.

É ainda um pouco triste ver a sua inquietação pela falta da droga. Seus pés não param de balançar, ele dificilmente consegue ficar parado, justamente porque o corpo está pedindo algo de que necessita, o crack. Mas pude reparar algo bastante interessante. No momento em que começamos o culto, onde cantamos algumas músicas em louvor a Deus, o Alexandre sentou-se na cadeira, e todas as suas inquietações, a perna que balançava sem parara até então, se acalmaram, e ele ficou sentado serenamente na cadeira, ouvindo e cantando as músicas, ouvindo a linda mensagem de restauração levada pelo Carioca, e parecia ter sido invadido pela paz de Deus, sem qualquer demonstração, durante todo o culto, de seu corpo estar necessitando da droga. Um momento muito bonito, graças à paz de Deus. Acabando o culto, a tremedeira novamente começou.  ale ale1O resto da programação foi muito abençoada, todos prestaram bastante atenção na forte mensagem trazida pelo Carioca, a qual apontou para Deus como o único meio de se alcançar a restauração e o perdão. Conversamos bastante, e conhecemos um pouco mais os internos da clínica New Life, os quais fizeram questão de demonstrar o quanto apreciam as nossas visitas e o quanto precisarão de nós para se manterem firmes após o término do tratamento.

Saímos de lá, novamente, com a maravilhosa sensação de termos sido usados por Deus, e de termos visto como Deus atende as nossas orações, trazendo a paz e a calma ao coração do Alexandre. E gostaríamos muito que todos vocês que nos lêem pudessem sentir e viver essa maravilhosa experiência que temos tido a cada final de semana. Junte-se a nós.

O Alexandre tem estudado a Bíblia todos os dias, e tem pregado sobre o amor de Deus a muitos naquele local. Todos comentam sobre sua consagração. Amém!

Temos ainda o imenso desafio de, após o fim de seu tratamento (no mínimo 4 meses), não deixarmos ele voltar para as ruas. Precisamos que ele arrume um emprego, uma casa para morar. Como faremos? Com a benção de Deus através da sua ajuda. Favor entrar em contato. Precisamos de você.

Deus nos abençoe.





As PEDRAS no caminho

5 03 2009

Último sábado, fomos até a clínica New Life para visitar o Alexandre e realizar uma programação com os demais internos. Chegando lá, em mais ou menos umas 15 pessoas, conseguimos reunir um número grande de internos para darmos início à nossa programação, uma grande vitória, já que normalmente, pelo que vimos e soubemos a maioria não freqüenta as atividades religiosas que ali acontecem. Mas antes do programa começar, avistei o Alexandre, que rapidamente ergueu os braços, demonstrando alegria, e veio me dar um abraço, dizendo que estava com vontade até de chorar. Percebi que estava mais gordinho, com cabelo cortado, barba feita, uma ótima aparência, e fiquei muito feliz.

Mas, como diria o jargão, “nem tudo são flores“. Logo após nos cumprimentarmos, com a programação prestes a começar, Alexandre me chamou para uma conversa particular. Visivelmente alterado, pediu-me para levá-lo embora da clínica comigo naquele dia. “Não agüento mais essa prisão, você tem que me tirar daqui, hoje”. Aquelas palavras tiraram meu chão, nunca tendo passado por situação semelhante, não sabia como agir. Fiquei de conversar com ele depois, visto que a programação já se iniciava.

Durante a atividade, que foi muito abençoada (contarei sobre ela daqui a pouco), cada um de nós pegou dois internos para conversar um pouco e fazer uma oração. Chamei o Alexandre e mais um. “Mauro, por favor, me tira daqui, eu prefiro a rua, se você me deixar aqui, não precisa mais olhar na minha cara, não faça isso comigo”, eram as palavras que eu ouvia. O outro interno que nos acompanhava na atividade pedia para o Alexandre manter a calma, pois era normal sentir aquela compulsão no começo, que ele havia passado por isso. A situação ficava cada vez mais difícil para mim, e nesse momento o Alexandre abordava a cada um de nós, implorando para levarmos ele novamente par as ruas. Chegou a ajoelhar aos pés do Nando.

Pasmo, fui conversar com outros internos, que me informaram que haviam passado pela mesma compulsão e abstinência que o Alexandre estava passando, mas que tínhamos que ser firmes. Marcelo, o dono da clínica, me orientou no mesmo sentido, e com claras palavras disse ao Alexandre que não liberaria sua saída naquele dia, informando-o ainda que ele havia sido interditado judicialmente pela clínica.

O que nos restava naquele momento? Não sou nem familiar do Alexandre, o conheço há pouco mais de um mês. Quem sou eu para restringir a liberdade de uma pessoa, mesmo sendo claro o desejo dessa pessoa se matar? Vários questionamentos me assaltavam a mente, então comecei a orar, olhei para a Thais ela já estava orando, e acho que cada um ali deve ter feito sua oração silenciosa “Senhor, nos guie, e se for da Sua vontade, acalme o Alexandre”. A oração foi atendida, e aos poucos a compulsão do Alexandre foi baixando, e ele pareceu controlar de novo sua abstinência, mas aí, já era hora de ir embora.

Pedindo incessantes desculpas, o Alexandre disse que agüentaria ficar ali por dois ou três meses. Até lá verificaremos qual a situação dele.

Esperando encontrar um Alexandre manso, sempre bem-humorado como era quando morava na rua, viciado em crack, fomos surpreendidos por um Alexandre angustiado, sentindo por seus órgãos a necessidade da droga, que a essa altura, já está ausente de seu organismo por 03 semanas. Chantagens emocionais, lágrimas, discursos inflamados marcaram a nossa primeira visita àquele que consideramos nosso primeiro resgatado.

Um detalhe que esqueci de mencionar, no entanto, é que antes de eu encontrar o Alexandre, encontrei um de seus colegas de quarto, com quem já havia me encontrado da primeira vez que visitei a clínica. E ao me encontrar, me abraçou e disse “Estou no quarto com o Alexandre, e ele é um verdadeiro missionário,” ergueu o braço todo arrepiado para mim e complementou “me arrepia até de lembrar as coisas que ele me fala sobre a Bíblia”.

Todos os outros internos nos asseguraram que o Alexandre até ali tinha sido uma pessoa super descontraída, alegre, amigo de todos, e assíduo leitor da Bíblia. Foi nossa presença que despertou nele a esperança de poder suprir a necessidade química de que seu corpo depende, e a crise de abstinência explodiu, tirando-lhe a razão.

Por incrível que pareça, tudo isso aconteceu sem que a beleza da programação com os demais internos fosse afetada. Ninguém parecia perceber o que acontecia há poucos metros, e a mensagem de Deus foi pregada através do testemunho do Vanildo, ex viciado em crack, que freqüenta a igreja do Morumbi. Os momentos de conversa com os internos foram muito abençoados, e pudemos ouvir um pouco sobre a história de cada um, e apresentar o amor de Deus como a única solução para os problemas que às vezes excedem às forças humanas.

Coroada por um lindo hino de louvor cantado pela Ju, a programação foi lindamente encerrada.

Oração, único meio de se lutar contra as forças de Satanás. É disso que o Alexandre precisa. Necessita experimentar a “paz que excede todo o entendimento”, precisa de um milagre para controlar a abstinência. O problema dele é o problema de quase todos os ali internos. Por favor, orem pelo Alexandre o por todos que ali estão. A luta é mais difícil do que eu imaginava, e é preciso um milagre.

Deus abençoe a todos nós.

Um abraço.

Mauro





O Dia da Virada

18 02 2009

 

Às 17,30h no Mc Donald´s da Espraiada era o combinado, bem em frente ao farol onde o Alexandre costuma limpar o vidro dos carros com seu rodinho. Chegando lá um pouco atrasados, Marina e eu não vimos o Alexandre e nem o Nando, que havia combinado de nos encontrar ali. Logo a ansiedade começou a se manifestar, e os alertas que nos tinham sido dados de que era comum o dependente sumir no dia de sua internação deixou-nos com uma pulga atrás da orelha, que não duraria muito.

Então ligamos para o Nando, que disse que já estava com o Alexandre, chegando em 10 minutos no Mc. Dito e feito. Em 10 minutos avistamos o Nando e o Alexandre, e este se apresentava com um rosto sereno, confiante, expressando mais ou menos um “obrigado meu Deus, hoje é o dia da virada”. Nos abraçou sorridente, e decidido a dar um firme passo rumo à sua restauração.

Nando tinha um compromisso, então seguimos Alexandre, Marina e eu rumo a Embu-Guaçu, para a clínica New Life. No caminho, Alexandre não parava de repetir que aquilo tudo era um sonho, que Deus estava sendo maravilhoso, que não via a hora de dar seu testemunho após sua recuperação. Contou-nos ainda mais um pouco sobre a dura história de sua vida, e sua intenção de orar por uma reconciliação com sua mãe (até ontem dizia que nunca mais lhe pediria ajuda), que não vê há anos, e parece ser um dos grande motivos de ter ido tão fundo nas drogas.

Quanto mais chegávamos perto, maior parecia ser a felicidade do Alexandre, “Será que poderei tomar um banho de uma hora?”, “Não acredito que hoje dormirei numa cama”, “Poderei cortar minhas unhas?”, eram as indagações daquele homem de 34 anos, que mais parecia uma criança aguardando os presentes no dia do seu aniversário.

Chegando lá, fomos muito bem recebidos pelos funcionários da New Life, e ao entrarmos na clínica, Alexandre pode ver que Deus o estava resgatando em grande estilo. Cena rara para quem mora na Av. Água Espraiada em meio à poluição e aos ruídos ensurdecedores dos carros, Alexandre adentrou na Chácara, silenciosa e calma, debaixo do céu estrelado, avistou a quietude da piscina que mais parecia um espelho, os quartos, o refeitório, e neste momento não pode expressar em palavras o que sentia, mas seu semblante exprimia a mais pura gratidão a Deus.

Logo encontramos com Marcelo, que nos recebeu com um belo abraço, e já encaminhou o Alexandre para fazer uma pequena triagem médica, medindo a pressão, checando a respiração, etc., enquanto Marina e eu acertávamos com Marcelo os últimos detalhes.

Feito isso, reencontramos o Alexandre, que ao tentar nos agradecer, não conseguiu falar, bastante emocionado. Deu-nos um abraço, e disse “Deus os abençoe, eu já vou indo”. E assim perdemos de vista o Alexandre, que adentrava no local onde irá residir pelos próximos meses.

 

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Cumpre-nos agora orar pelo Alexandre e sua recuperação. Que Deus o inunde com seu Santo Espírito lhe dando força para suportar o difícil processo de libertação do vício. Oremos pela clínica New Life, pelo Marcelo, que de maneira tão amável nos abriu as portas para resgatarmos o Alexandre, gratuitamente, e posteriormente, mais pessoas.

 A clínica New Life é um grande campo missionário, ali existem pessoas sedentas e com necessidade de conhecerem um Deus prático, amoroso, que se envolve conosco. Como citei, as portas estão abertas para ali falarmos do amor de Deus, cantarmos e nos relacionarmos com aquelas pessoas. Quem desejar programar visitas à clínica, favor entrar em contato.

Conto com as orações de todos pelo Alexandre, mas não menos, conto com a participação prática de todos quanto sintam vontade de fazer parte dessa obra tão gratificante que Deus está colocando em nossas vidas. A seara é grande, mas são poucos os ceifeiros.

Deus nos abençoe. Um abraço.

 

 

 





Vitória

16 02 2009

Como na maioria de nossos dias desde que entramos nessa missão, nosso final de semana foi repleto de acontecimentos incomuns, como se Deus fizesse questão de demonstrar que está à frente de nós.

Na sexta-feira começamos a procurar algumas clínicas de reabilitação para o Alexandre, pois ele tem tido muita dificuldade para vencer o vício e vem demonstrando grande interesse em uma internação. Liguei para alguns lugares, mas desanimei ao ver que em média uma internação custa R$ 1000,00 por mês. Nunca conseguiríamos esse dinheiro. Resolvemos, de forma despretensiosa, mandar e-mails para algumas clínicas falando sobre o Alexandre e com o link deste site. Oramos sobre isso e estávamos aguardando qualquer resposta.

Deus, dessa vez, agiu bem rápido, pois no sábado à noite recebemos uma resposta por e-mail de um Marcelo, da clínica New Life. Acostumado com pessoas bem intencionadas em ajudar os dependentes químicos, mas irresponsáveis quanto ao acompanhamento no tratamento dos mesmos, Marcelo respondeu o e-mail secamente, estipulando a condição para aceitar o Alexandre em sua clínica, mais ou menos nas seguintes palavras: “Eu aceito o Alexandre, desde que vocês não passem toda a responsabilidade para mim e acompanhem o tratamento. Vocês o abandonando, eu o abandonarei também”. Ao mesmo tempo em que suas palavras nos fizeram sentir o peso da responsabilidade que estávamos assumindo, sentimos uma euforia muito grande e sabíamos que era uma resposta de Deus.

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No entanto, só ao entrarmos no site da clínica pudemos perceber o tamanho da benção. A clínica New Life é destinada a pessoas de classe média alta e o quarto mais barato para a internação custa R$ 1500,00 por mês, chegando alguns até o preço de R$ 4.000,00. Mas Deus arrumou uma vaga para o Alexandre de graça. Amém!

Sem demora, agendamos uma visita para ontem, domingo, e logo cedo partimos, Thais, Marina, Nando e Eu (Mauro), para conhecer o local. Chegando lá, ficamos um pouco assustados com a aparência e o jeito do Marcelo, que mais parecia um dos internos do que o proprietário da clínica. Mas com pouco tempo de conversa, pudemos enxergar que em nossa frente havia um homem de Deus, cheio de amor pelo próximo e disposto a trabalhar para restituir a dignidade de pessoas destruídas pelo vício. Mas Deus nos dá sempre mais do que pedimos, e dessa vez não foi diferente. Pedimos a Ele uma vaga para o Alexandre e, para nossa surpresa, conseguimos uma vaga fixa na clínica do Marcelo, que quer dizer que após a recuperação do Alexandre, poderemos encaminhar outro dependente, e depois outro e outro e assim sucessivamente. Mais uma vez, Amém. Obrigado Marcelo, Deus te abençoe..

A clínica possui piscina, campo de futebol, quadra, salão de jogos, 05 psicólogas, enfermagem 24 horas, psiquiatra, e de quebra, 12 filhotinhos de Pit Bull com pouco mais de 1 mês de vida (seria injusto com a Thais não citá-los rs.). Tivemos ainda a oportunidade de conhecer alguns dos internos, que nos asseguraram ser ali um local ótimo e diferenciado para se recuperar do vício. Alguns haviam passado por diversas internações e outros haviam sido enviados para lá involuntariamente, mas todos eram unânimes em afirmar que estavam se sentindo bem ali, e muito esperançosos quanto a sua recuperação.

Fomos alertados pelos internos que o momento de avisar a pessoa de que ela irá para uma clínica, por mais que seja voluntariamente, é sempre complicado, pois o vício nessa hora grita alto, fazendo muitas vezes com que a pessoa suma, com medo de não agüentar ficar sem a droga.

Hoje encontrei o Alexandre e fomos tomar uma Coca-cola. Ele me afirmou que assim que conseguíssemos uma clínica, ele iria conosco, pois crê que Deus tem um plano para sua vida e que ainda será um instrumento nas mãos Dele (mal sabe que já o é). Não o avisei que já conseguimos a clínica para não corrermos o risco de ele ficar com medo e sumir, mas disse que iríamos atrás de uma essa semana. Pretendemos levá-lo para lá amanhã, terça-feira (17/02), no final de tarde, já liguei para a clínica e agendei. Conto com as orações de vocês para que tudo ocorra da melhor forma possível.

Nosso único custo nisso tudo será o pagamento de uns exames médicos, que custarão R$ 180,00, e ainda R$ 60,00 a cada bimestre para pagamento dos materiais necessários para a terapia. No entanto, teremos que conseguir algumas roupas, e todos os utensílios de higiene pessoal.

Sendo assim, caso alguém deseje colaborar com essas despesas que termos, seja com o pagamento do exame médico, ou com doações de roupas (bermudas, calças, cobertor, lençol, toalha, pasta de dente, shampoo, etc.) favor comunicar-nos, urgentemente, pelo e-mail do site. Contamos também com as orações de todos, para que o tratamento do Alexandre, uma pessoa tão especial, seja efetivo, e que ele se torne, como é a sua vontade, um instrumento de Deus depois que se recuperar.

Como vocês viram, todos nós envolvidos nesse “projeto” estamos experimentando a incrível sensação de estarmos sendo utilizados como instrumento de Deus para benefício de alguém. Ao mesmo tempo, nunca nos sentimos tão indignos de servirmos como tais instrumentos, e é nesse momento de nossas vidas que a GRAÇA de Deus passa ganhar um novo e mais profundo significado e a vontade de estar totalmente sob sua direção surge como algo natural, uma resposta a tanto amor. Se envolva de alguma forma, ajude, e se coloque nas mãos de Deus para ser usado em Sua obra nesse tempo tão peculiar que vivemos.

Um grande abraço a todos.

Mauro





Saindo da zona de conforto

11 02 2009

Ontem acordei cedo (pelo menos para meus padrões) e fui procurar meu amigo Marcos Saulo, mais conhecido como Vô. Tinha prometido a ele que essa semana correriamos atrás da documentação que ele precisa, CPF, titulo de eleitor, reservista, etc… Fui até o Mc Donalds da avenida águas espraiadas (ele costuma estar nessa região) mas não o encontrei. Saí pra dar uma procurada por alguns pontos que sei que ele costuma ir mas sem sucesso, retornei ao Mc Donalds e fiquei sentado em uma mesa do lado de fora.

Quando olhei pro outro lado da rua, vi o Alexandre (ver post abaixo) mas não estava com vontade de ir até lá. Estava pensando comigo mesmo, “vim até aqui pra procurar o Vô mas não achei, vou pra casa então”. Minha vontade de voltar pra casa era grande. Me lembro até que estava torcendo pro Alexandre não me ver pra eu não ter que ir lá. Não entendam errado, eu simplesmente adoro essa figura, mas não estava com vontade de ficar ali, mas por alguma razão, resolvi atravessar a rua e dar um oi.

Toda minha preguiça e vontade de ir embora dali simplesmente evaporaram quando ele me viu, levantou os braços, abriu um sorriso e disse “já ganhei meu dia!”. Mal sabia ele que eu que tinha ganhado meu dia.

Foi a primeira vez que o vi de perto na luta por alguns trocados com seu rodinho. Pude ver de perto como as pessoas o tratam. Tem gente que fecha os vidros, gente que fica brava (isso que ele nunca joga água sem a permissão do motorista) e pouquíssimas pessoas deixam que ele limpe o parabrisa. Não que eu ache que as pessoas deveriam agir de forma diferente, mas como eu conheço o Alexandre, ficava com vontade de bater em algumas pessoas. Pra falar bem a verdade, fiquei muito feliz que ele me disse que nesses últimos dias estava conseguindo somente o suficiente para suas refeições. No dia que o conhecemos, ele nos contou que conseguia 100 reais por dia e gastava tudo em drogas. Agora que ele está tentando parar, ninguém tá dando dinheiro pra ele (viva!).

Alexandre

Ficamos ali por mais de 1 hora, depois fomos almoçar, tomamos 4 tubaínas (ele curte uma tubaína hein), filmamos um pouco do dia dele e voltei pra casa umas 4 horas depois revigorado (e triste também por ter que deixá-lo).

Vou tentar montar um video pra colocar aqui sobre ele, e quem quiser conhecê-lo, entre em contato conosco.





Alexandre

11 02 2009

Alexandre é uma daquelas raras pessoas que aparecem em nossas vidas, e que com apenas dois ou três dias de convivência faz com que você se sinta tão à vontade que parece ser um amigo de muitos anos.

Assim como a grande maioria dos moradores de rua, Alexandre possui uma história marcada por frustrações em vários aspectos de sua vida, principalmente no relacionamento com seus familiares. Um dia Alexandre já trabalhou, possuía uma família, um carro e uma casa, mas hoje, aos 34 anos, possui apenas a roupa do corpo e um rodinho para limpar o vidro dos carros no farol, sua única fonte de renda, renda esta, usada quase em sua totalidade para sustento de seu vício, seu pior inimigo.

Alexandre e Mauro

A realidade que lhe prende parece não oferecer uma escapatória, no entanto, Alexandre, de modo miraculoso, mantém um bom-humor inabalável, um modo manso e educado de se comunicar, e é muito sincero ao olhar nos seus olhos e de modo comovente dizer “eu já gosto muito de você, posso lhe dar um abraço?”. O mais triste de passar o dia com ele, é a hora de ir embora. Perceber que você estará deixando uma pessoa que faz tanta questão de fazer você se sentir bem, ao relento, enche o peito de tristeza.

Durante um dia inteiro de convívio, em meio à leitura da Bíblia, dos louvores e das conversas informais, Alexandre nem se lembrou de seu vício, mas é difícil dizer que após a nossa partida, quando a noite e a solidão caem sobre ele, a dependência química não fez o terrível favor de obrigá-lo a se lembrar de sua necessidade. No entanto, desde que o encontramos há uma semana, sua vida parece estar se modificando pelo amor de Deus rapidamente. Sábado de manhã fez questão de ir à igreja, onde foi muito bem recebido pelos irmãos, e onde se emocionou bastante com a mensagem e o amor demonstrado pelas pessoas. Detentor de um raro dom de gravar em sua mente inúmeras passagens bíblicas e louvores que nem ele mesmo sabe dizer onde aprendeu, Alexandre necessita muito de ajuda. Precisa ir para uma clínica de recuperação, e deseja muito ir, mas acima de tudo, precisa de um local para morar, pois saindo da clínica, a volta para as ruas é a certeza da volta para o vício. Se alguém quiser ajudá-lo de alguma forma, doações de roupas (não muitas, pois ele não tem onde guardá-las), ou algum quartinho em alguma pensão, ou ainda, alguma vaga em uma clínica de recuperação de dependentes químicos gratuita ou com um valor que possamos arcar com a união de nossos esforços, favor entrar em contato através do e-mail do blog. Alexandre, sem qualquer supervalorização, é uma pessoa bastante especial. Deus nos abençoe a todos.

Um grande abraço.








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