Ivan “Quebrada”

2 03 2009

Mais uma vez vou ficar devendo uma foto do personagem da vez. E a foto do Tu continuo devendo… Praticamente uma vergonha mas um dia coloco aqui as fotos. 

Conheci o quebrada no dia do nosso primeiro picnic. Foi no mesmo dia que conhecemos o Alexandre. As atenções foram todas voltadas ao Alexandre porque ele é todo extrovertido, engraçado e grudou na gente. O Ivan é o oposto. Se falar que ele é de poucas palavras vou estar mentindo. Até comentamos outro dia que precisávamos arrancar alguma coisa dele porque ele tá sempre junto mas sempre observando e raramente fala alguma coisa. Nunca pediu nada pra ninguém. Eu particularmente estava com muita vontade de conversar com ele, mas tava difícil. Mas os observadores são normalmente os mais espertos.

Esse fim de semana foi com certeza o mais intenso desde que esse projeto começou. Parece até que Deus nos deu de presente nossa viagem de carnaval, longe de são paulo e todos esses problemas que atingem a gente. Eu achava que conversaríamos só sobre os moradores de rua durante nosso acampamento, mas foram poucas as vezes que o assunto veio. Foram 4 dias de muito descanso para nos preparar para o que estava por vir. Não vou entrar em detalhes das coisas que aconteceram. Senti como nunca que estão tentando acabar com o que a gente está fazendo. Desculpe usar esse espaço como um desabafo, mas pela primeira vez senti medo, me senti completamente desprotegido e usado. Eu tenho um problema de confiar demais nas pessoas e Deus talvez esteja se aproveitando pra me ensinar algumas coisas. Mas isso já passou e o foco agora é falar sobre o Quebrada.

O motivo de eu estar escrevendo sobre ele, é que depois de tudo que aconteceu, Deus resolveu nos dar uma injeção de ânimo como se estivesse dizendo pra continuarmos. Acabei de me encontrar com o Vô e com o Quebrada. O Vô tava muito preocupado com as coisas que estavam acontecendo e a gente conversou, demos força uns pros outros e o Vô disse que se é pra continuar nessa missão, temos que ir pra guerra, e se formos pra guerra, temos que estar com a cabeça no lugar. Nisso, o Quebrada decidiu que a partir daquele momento ele não vai mais usar crack e em breve quer ser batizado. Quero pedir que orem muito por ele e também por nós. Precisamos de um lugar pra nos reunirmos com essas pessoas. A polícia já disse que a gente não pode mais fazer o que estamos fazendo nas ruas, mas Deus vai dar um jeito nisso, temos certeza.

Só quero deixar registrado um diálogo do Vô com o Quebrada

-Quebrada, quanto tá valendo a grama do ouro?

-70 reais. E não é A grama, é O grama

boa semana








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