Tu

15 02 2009

Ontem foi um dia maravilhoso. Tenho certeza de que todas as pessoas que participaram daquele almoço, guardarão esse dia na memória pro resto de suas vidas. Como Deus é bom e poderoso. Agradecemos especialmente à família Monteiro de Castro pelo patrocínio. Pedrinho, Hebe e Bolão, nós amamos vocês!

Durante a semana passada, um garoto de 17 anos conhecido como Tu, veio falar comigo umas 3 ou 4 vezes na rua. Toda vez que me encontrava dizia “eu quero ir pra igreja com vocês” e “tem como me arrumar uma bíblia?”. Existem pessoas nas ruas que, não importa que tipo de coisa errada estejam fazendo, você só precisa olhar nos olhos dela pra saber que essa pessoa não pertence àquele lugar. o Tu é uma delas. Sabe aquele menino que tem um coração puro mas que nunca, NUNCA teve uma oportunidade na vida? é ele.

Ontem quando nos sentamos em 16 pessoas para almoçar depois da igreja, sentei na frente dele. Dava pra perceber que ele estava um pouco perdido. Nitidamente, aquele era o tipo de coisa que talvez nunca tivesse acontecido com ele. Eu sabia que ele estava morrendo de fome porque quando o acordei pra ir pra igreja, ele me pediu alguma coisa pra comer, mas como não tinha nada no carro e estávamos mais que atrasados para a igreja e almoçaríamos em pouco mais de 1 hora, pedia para que ele esperasse. Quando seu prato chegou, ele não sabia muito bem o que fazer. Providencialmente, quem sentou ao seu lado foi o Carlos Roberto, que apesar de morar nas ruas, teve uma educação muito boa e percebendo as dificuldades do Tu, conversava baixinho com ele explicando coisas simples mas que ele nem sabia que existiam. A realidade daquele garoto era simplesmente outra. Ele não conseguia cortar o bife. Talvez nunca tivesse usado uma faca. Aquilo cortou meu coração. Já não bastando isso, uma amiga sua das ruas perguntou em tom de brincadeira “você não teve mãe não?” e ele baixou a cabeça e a balançou dizendo que não. A menina insistiu “não teve pai não?” e ele novamente fez o mesmo movimento.

Como nós devemos agradecer a Deus pelas oportunidades que temos em nossas vidas. Mesmo assim, muitas vezes reclamamos de coisas muito pequenas e insignificantes. Esquecemos de olhar que existem pessoas que não tiveram uma oportunidade na vida e mesmo assim podem nos ensinar muito mais que um professor com PhD. Quando estava com o Tu ontem no carro, contei a ele que o Carlos Roberto a.k.a Nego Drama já foi padeiro e confeiteiro. Perguntei a ele se tinha vontade der trabalhar com isso também e ele disse que sim. Quem sabe um dia tenhamos condições de ter um lugar em que possamos colocar o Nego Drama ensinando pessoas como o Tu uma profissão.

Vou ficar devendo a foto dele. Mas pode ter certeza que quando colocá-la aqui, você saberá na hora que é ele. É o que tem o maior sorriso.








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