
Não parece, mas Patrícia tem 28 anos. Seu rosto apresenta expressões delicadas, mas esconde uma vida bastante dura e um passado que ela gostaria de esquecer. A primeira vez que a vi foi no primeiro piquenique com os moradores de rua da Av. Espraiada. Grávida de 7 meses, ela chegou tímida para pegar um lanche, agradeceu e saiu sem falar muito. Foi na outra semana que tive o privilégio de conhecê-la melhor. Ela ainda me parecia um pouco tímida, mas logo começou a rir, cantar hinos, conversar e pude conhecer melhor sua história.
Na rua há mais de 10 anos, Patrícia tem 15 irmãos e decidiu sair de casa por não conseguir se relacionar bem com um deles. Aos 23, engravidou de seu primeiro filho, o que a levou a entrar em desespero, pois não tinha como sustentar nem mesmo a si, quanto mais uma criança. Sem refletir e sob efeito do crack, decidiu assaltar uma Casa Lotérica com mais 2 colegas. Quando a polícia chegou, ela tentou fugir e levou 8 tiros nas costas. Enquanto me contava esta história, Patrícia levantava a blusa e mostrava as marcas das balas. “Essa entrou aqui e saiu por aqui, essa atravessou a garganta, e tem uma ainda nas minhas costas que os médicos não tiraram”, disse. Quando ela virou, pude ver claramente a bala alojada sob sua pele. Nesse episódio, que por um milagre não tirou sua vida, ela perdeu o pulmão esquerdo e quando se recuperou foi condenada a 4 anos de prisão.
E foi na penitenciária feminina que Patrícia conheceu os hinos tão lindos que cantou durante o piquenique. Quando começou o louvor, sua voz rouca foi abafada pelo barulho dos carros que passavam embaixo da ponte, mas aos poucos a melodia contagiou o ambiente e todos cantaram junto.
Naquele dia, conversamos e cantamos por quase 1 hora e posso afirmar que a situação desta jovem tão querida não é nada fácil. Apesar de grávida, Patrícia ainda é viciada em crack. Seu namorado está na cadeia e ela não tem lugar para morar, tampouco como se sustentar. Hoje, enquanto escrevia este texto, me peguei pensando que a solução para o caso dela é quase impossível, mas durante o momento em que me contava estas histórias trágicas no domingo, Patrícia cantou um hino muito lindo que dizia: “Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra a minha vida e faze-a de novo. Eu quero ser um vaso novo”. Então lembrei que para Deus nada é impossível e que ele pode fazer a Patrícia nascer novamente e ter a vida transformada.
Gostaria de pedir para que vocês orassem especialmente por esta mulher tão linda para que ela consiga vencer o crack e que em breve ela possa louvar, não somente com sua voz rouca, mas com o testemunho de sua vida!


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