Patrícia

13 02 2009

Patricia

Não parece, mas Patrícia tem 28 anos. Seu rosto apresenta expressões delicadas, mas esconde uma vida bastante dura e um passado que ela gostaria de esquecer. A primeira vez que a vi foi no primeiro piquenique com os moradores de rua da Av. Espraiada. Grávida de 7 meses, ela chegou tímida para pegar um lanche, agradeceu e saiu sem falar muito. Foi na outra semana que tive o privilégio de conhecê-la melhor. Ela ainda me parecia um pouco tímida, mas logo começou a rir, cantar hinos, conversar e pude conhecer melhor sua história.

 

Na rua há mais de 10 anos, Patrícia tem 15 irmãos e decidiu sair de casa por não conseguir se relacionar bem com um deles. Aos 23, engravidou de seu primeiro filho, o que a levou a entrar em desespero, pois não tinha como sustentar nem mesmo a si, quanto mais uma criança. Sem refletir e sob efeito do crack, decidiu assaltar uma Casa Lotérica com mais 2 colegas. Quando a polícia chegou, ela tentou fugir e levou 8 tiros nas costas. Enquanto me contava esta história, Patrícia levantava a blusa e mostrava as marcas das balas. “Essa entrou aqui e saiu por aqui, essa atravessou a garganta, e tem uma ainda nas minhas costas que os médicos não tiraram”, disse. Quando ela virou, pude ver claramente a bala alojada sob sua pele. Nesse episódio, que por um milagre não tirou sua vida, ela perdeu o pulmão esquerdo e quando se recuperou foi condenada a 4 anos de prisão.

 

E foi na penitenciária feminina que Patrícia conheceu os hinos tão lindos que cantou durante o piquenique. Quando começou o louvor, sua voz rouca foi abafada pelo barulho dos carros que passavam embaixo da ponte, mas aos poucos a melodia contagiou o ambiente e todos cantaram junto.

 

Naquele dia, conversamos e cantamos por quase 1 hora e posso afirmar que a situação desta jovem tão querida não é nada fácil. Apesar de grávida, Patrícia ainda é viciada em crack. Seu namorado está na cadeia e ela não tem lugar para morar, tampouco como se sustentar. Hoje, enquanto escrevia este texto, me peguei pensando que a solução para o caso dela é quase impossível, mas durante o momento em que me contava estas histórias trágicas no domingo, Patrícia cantou um hino muito lindo que dizia: “Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra a minha vida e faze-a de novo. Eu quero ser um vaso novo”. Então lembrei que para Deus nada é impossível e que ele pode fazer a Patrícia nascer novamente e ter a vida transformada.

Gostaria de pedir para que vocês orassem especialmente por esta mulher tão linda para que ela consiga vencer o crack e que em breve ela possa louvar, não somente com sua voz rouca, mas com o testemunho de sua vida!

 





Alessandra

3 02 2009
Há cerca de um mês atrás conhecemos a Alessandra. Na ocasião passávamos de carro pela rua, em um domingo de sol, quando nos deparamos com uma pessoa caída na calçada, sentindo muitas dores. Percebemos que estava grávida, então paramos para ajudá-la. Todos, inclusive a própria Alessandra, achamos que ela iria dar à luz, o que levou-a a relutar em entrar no carro, pois temia que, no hospital público, iriam lhe tirar a guarda de seus bebês (estava grávida de gêmeos). Não tendo outra opção, e muito menos conhecimentos médicos para realizar um parto, chamamos os bombeiros e a polícia, que se encarregaram de leva-la ao hospital.

Desde então estamos orando pela Alessandra, e no último domingo fomos visitá-la embaixo da ponte do Morumbi, onde mora. Para nossa surpresa aquelas dores que sentia naquele domingo não eram relacionadas ao trabalho de parto, e sim com uma infecação, e ela continua grávida dos gêmeos, agora com uma barriga bem maior do que naquela ocasião. Segundo ela, aquele domingo de dores, cerca de um mês atrás, foi o último dia em que usou crack (talvez em razão de nossas orações), e hoje seu maior medo é que na hora em que for dar à luz, seus bebês lhe sejam tirados, novamente, pelo Estado. Ela já perdeu duas crianças assim.

Alessandra tem 27 anos, possui uma filha de 09 anos, e outra de dez meses as quais moram com sua mãe na favela do Real Parque. Há três anos Alessandra mora sozinha embaixo da ponte do Morumbi. Em sua vida tem a tristeza de haver “perdido” dois filhos, que lhe foram tomados pelo Estado em função de sua precária situação, filhos estes que desconhece o paradeiro. Agora espera mais dois filhos, e vive uma gravidez de alto risco, talvez pelas poucas condições de higiene, e pelo uso de crack durante boa parte da gestação.

Mesmo envolta por tantos dissabores, Alessandra consegue manter um belo sorriso no rosto, uma incomum simpatia e disposição para todas as manhãs, grávida de 06 meses de gêmeros, caminhar da ponte do Morumbi até o bairro de Sto. Amaro para catar latinhas na rua, com o principal objetivo de comprar fraldas e alimentos para sua filhinha de 10 meses.

Alessandra necessita muito de ajuda, precisa de um novo local para morar, pois atualmente vive em meio ao lixo e aos ratos, não possuindo condições de criar dois bebês recém -nascidos ali. Pretendemos ajudá-la, mas não sabemos muito como. Mais importante que isso, ela pareceu desejar ser ajudada, e pretende sair das ruas para poder criar seus filhos. Contamos com as orações dos irmãos para que Deus a ajude e nos mostre a maneira pela qual podemos auxiliá-la em suas grandes dificuldades. Se alguém desejar ajudá-la, de qualquer forma, seja com roupas para bebês, fraldas, ou apenas uma visita, favor entrar em contato através do email maurocatanzaro@gmail.com

Um abraço.








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